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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Arte Marginal














Escrevo aos enforcados como se dispensasse meu próprio desespero. Fantasiando sobre um cristo o acontecimento de minha própria humanidade. E quando escrevo sinto que falta sempre mais um pouco, como se as letras tivessem um aroma dizimal que cospe na extensão de meus pés.
Minha falta de moral é a que tece todas as frases e, dali de cima, aquela impressão de ter sempre todos os espaços abertos. E quando dessa vida lá fora, cheia de coisas reais e sem matéria qualquer linha se diz poesia, é que mantenho meus olhos fechados como se nunca pudesse parar de correr em direção à mesma presença solta.

E quando declamo nas ruas feito marginal é porque quero abanar todos os farelos até não restar nada. Aumentando nessas mesmas praças minha família de irmãos artistas, um círculo vicioso que viabiliza o renascimento da poesia.
E ali, dançamos em ciranda para escrever com os pés e fazer teatro com as mãos.
Assim, a arte inunda as ruas, devora seus portadores num samba alucinado com direito a artistas avessos a toda forma de domesticação. Sem uniformes, sem patrocínios e sem nenhuma vergonha de fazer da poesia a pátria a que se ama.

domingo, 25 de outubro de 2009

Movimento "Poesia Viva"




Brindo o novo movimento poético que nasce nas ruas cariocas.








Nosso imaginário poético cruzando avenidas
Somos poesias vivas cambaleando pela cidade
Reunidos, dispersos e nos sorrisos a manifestação de cada estrofe
Um Rio antigo para nossa euforia temporária
O gosto quente dos poetas explode na boca
Uma embriaguez que salta da língua
Festejando a poesia que vive em nossos pés
Saudosas e sedentas em cada ladeira carioca
Espalhados,desatinados fazendo das folhas estadia
Marginais habitando em palavras
Poetas transgressores que se mantém na mesma linha
Oscilações e fúria criativa entranhada no corpo
Apertados e sem cabimento para esconder a nova poesia
Porque os poetas estão acesos e ambulantes na rota de cada chão
Ampliamos a cena de um novo carnaval
Delírio de uma poesia que vive.