sábado, 21 de abril de 2012



Saudade é o nome
da minha criança.


Estou para o ócio
assim como o medo 
está para solidão.



Reedito os pedaços soltos
estou para o caos,
muita agulha e linha no tecido adiposo desta casa
clarão na sala e não podemos ver teus dentes amarelinhos de nicotina
sobre o cinza desmedido do quarto não poderei mais contar nossas rugas
há tanta inércia nas mãos e podridão em nossos ossos
que nossos poros corrompem-se de passaportes nulos
no que antes seriam milhões de itinerários rumo aos outros lados do espelho.



Pode fumar
ouvir suas músicas francesas
espalhe ração de gato por toda a casa
até que o alívio suba por tuas pernas.

A marcha fúnebre
improvisada com pandeiros
estoques completos de difamação e agonia
você sai/eu desabo
fumo mais de vinte cigarros imaginários
e a chuva fininha pinga no chão a forma das tuas costas
são tuas costas (eu sei)
e o tempo vai abafando
prendendo o ar em egoísmo
e eu querendo fazer com você o mesmo.
...
(aprendo a calar esta guerra
sem grandes rebeliões).


sexta-feira, 6 de abril de 2012

itinerário da Arte
desinventando Arte
inutensílho
enzimas criativas
decodifique arte
desfecho virtual
distonia
mosaico ao avesso
Estand’Arte
...
transitivo
hiperativo em sua obscenidade lisérgica
literário inalcançável
aonde não há chegadas
nem morada em cada estrofe
porque dos passos pentecostais de uma puta
nasceu a bíblia
o livro dos enjeitados
que deságua no leite seco de uma negra
e desmancha nos pedaços pútridos
da falta de cura
...
sangue roxo para artistas imaginários
veias entupidas do tédio que pelo pulso escorre
das chagas fizemos pintura
dos cortes palco para teatro
da morte a inspiração
para selar o poema
intitulado nojo
...

ainda não inventaram a prece
a oração vazia
que expele descomeço
e final para o medo.
...

Do que nutrimos há uma balsa pulsando pelo avesso. A ordem inversa do criador poente é uma página em branco. Sem nomes ou relações coligadas. Porque a vida corre para trás.
E não há melhor maneiras de se fazer poesia na ingratidão de cada verso que voltamos atrás para buscar.
...
Estou voltando por você.




sábado, 24 de março de 2012

o líquido mais precioso

De todos os líquidos mais preciosos um deve ter sua merecida honra...
Não é a água que escorre nos mananciais e nos serve tão bem, nem a água que deságua do rosto e cai no chão em forma de lágrima, nem o vinho que nos deixa loucos prontos pra enfrentar o mundo com todas suas verdades ocultas, muito menos a urina que depois de ser água é descartada em postos de esgoto a céu aberto.
O líquido mais precioso caro amigo é o gozo que de forma milagrosa sai das partes mais íntimas do ser humano e deságua nos lugares mais inusitados do corpo do outro... E este sim que supostamente atacado e prejudicado por velhinhas crentes e mulheres frígidas vem perdendo seus méritos. É ele que encharca as calcinhas das mais puritaninhas e as cuecas dos homens de família, é ele que antes de ter sua forma completa umedece as roupas mais discretas dos que assistem aquela cena quente ou dão o primeiro amasso decente.
É o gozo seja feminino ou masculino que inunda os pensamentos mais obscuros de qualquer pessoa de postura. Por causa dele cometemos as maiores loucuras da traição ao amor às escuras, para que ele saia pleno e aplaudido nos três segundos de augura.
Tão pouco falado, por vezes discriminado é ele o responsável por nossa essência mais primitiva, a nossa função animal de ser tão prazerosamente humanos.
Ainda dizem que se não expelido para procriar é pecado. Ora camarada, que mal há dar uma espirrada na frente, atrás ou aonde bem entender?A ordem dos fatores não altera o produto. Deixa o gozo se libertar! Abaixo o gozo reprimido! E quais são mesmo as diferenças duma puta gozada e um padre molhadinho por causa do coroinha? Deixa a menina gozar docemente na outra, deixa o menino gozar no companheiro, deixa a esposa receber o gozo porque quer engravidar. Se tiver amor, que mal há?
E não venha me falar de sodomitas, nem de promiscuidade ou falta de parâmetros morais, que o mundo já anda problemático demais pra se fazer guerra por causa de uma ou duas gozadas.




....


deixa tua anca aos meus cuidados que com zelo e préstimos adorno teu pedaço mais merecido de glórias,
tuas gotas não refreiam minha falta de pudor, nem a temperatura dos trópicos me tiram de perto do teu segredo mais belo e essa tua coxa que me pinga com vela um nome e derrete sem arrependimentos sob teu corpo delicado.
vai umedecendo os lábios de licor enquanto minhas pálpebras se abrem na tua fonte de calor mais sincera porque já vou encostando meus bicos sutilmente nos teus que é pra decorar tuas formas dançando seu ritmo mulher.
e se por vezes paro, é pra esconder a voracidade e toda vontade de acelerar endoidecidamente nas passagens de teu sexo.vou desacelerando o ritmo do corpo, te comendo sempre mais um pouco dentro do abrigo dos meus olhos, você  percebendo meus trajetos, querendo escolher o ritmo certo. eu, empalidecendo meio de canto, você vibrando e agradecendo todos os santos à cumplicidade deste ato que agora deságua sobre nós seu líquido mais humano.

sexta-feira, 23 de março de 2012

tô ficando sem recurso maria. então vá parando de mandá pedi dinheiro pras criança que eu já to há tanto tempo nesse fim de mundo que não dá pra botá as idéia no lugá não sinhô. e as idéia tá acabando também, então dá um tempo dessa cunversa de pedi pra dá jeito que eu já to sabendo que a coisa tá feia aí também. to sabendo que chiquinha ta sem leite dispôs que o seu secou, mas se a coisa milhorá eu te mando a vaca que seu atilho prometeu dispôs que dei cabo do jagunço filha duma puta das banda de pedrosa. tem paciência fia que se a vida acertá eu mando busca ocê mais os menino que é pra nóis tudo avive junto mó de que nóis ajunta nossa tristeza e tentá se feliz mermo com essa disgrama de pobreza.
já penso maria? tu mais os menino avivendo na casinha que um dia te prometi? se tudo acertá e com a ajuda de nosso sinhô, vai tê fubá todo dia na mesa, fruta di tudo quanté qualidadi e leite pra chiquinha enjoá de bicá, vai inté tê escola pras criança virá dotô e cuidá di noís dois quando tive veio. fica tranqüila bichinha quem tá prometendo esse mundão de coisa é só eu não é prefeito jilmá que tá falando pro povo todo que pra gente tê isso tudo é só votá nele e ajudá a entregá pro resto do povo uns papel com a foto dele. bão isso né fia? enquantu tivé gente boa nesse mundão deus vai ajudando. vê se pode mulhé, prometeu fazê tanta coisa boua  pra mó de ajudá noís.
espera fia e vai tendo paciência que assim que o prefeito ganhá as eleição eu mando te buscá e nóis vai se feliz que só tu vendo.

Guerra e Paz (Sofia)

Estou sempre a espera de uma guerra Sofia,somos pedaços reeditados de russos sem preconceito,mas com tanta vontade de força bruta quanto.Vou esperar que a guerra comece e não acabe nunca, já me preparo, escondo centenas de cigarros pela casa para o caso de guerra entre seus muros e os meus.E escolho sempre o melhor cômodo da casa para bater em retirada com minhas tropas de soldados empoeirados e com páginas soltas no desgaste do tempo/espaço.Tenho quilos de café que servirão pra fazer teu pingado no tempo necessário do desastre nuclear que você causou.
Manda buscar mais armas Sofia porque a bomba de efeito moral que você jogou nas redes sociais não serviu nem para faltar o ar que bate na sua cara e volta.
Já vesti meu colete a prova de mágoas que é pra durar o tempo que leva pra tua raiva rolar umedecida pelo rosto e só tocar o chão quando virar perdão.

sexta-feira, 16 de março de 2012

gostava de fazer poesia dentro da sua boca só pra receber de volta os versos sempre mais profundos e convincentes

sábado, 14 de janeiro de 2012

confundo a fumaça dos bares
com tudo que crepita 
na condição humana
e se converte
em vício e propensão à loucura



em teu sexo
rezo
sacrifico a boca
em batismos
expatriados
...
em teu instante
o entreabrir 
das pernas
como quem 
revela 
o melhor
segredo
( me conta)
...


Tuas coxas molhadas de poesia
esvaziando-me a culpa 
refeita antes em teu ventre/mulher
benditos os seios que beijo
com pretexto da fome profana
...
teus pêlos cobrindo
os versos 
na urgência grávida de meus anseios
e eu a te beber em todas as esquinas
teu sexo habitando o movimento de minha 
pátria.


domingo, 8 de janeiro de 2012

tentativas frustradas
muito gelo na piscina
o vazio mais perspicaz
que uma águia
a febre de uma vida inteira
o cheiro de naftalina
impregnado no armário
eu me fingindo de tola
e o mundo inteiro
desabando lá fora
esqueci de dizer coisas
bonitas
nas horas oportunas
mais um fracasso
soltando os jorrões
dentro desta xícara de café
duas colheres de açúcar
e uma navalha para o chá das cinco

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012



Tomara meu cigarro dure a tarde inteira
E eu não tenha de sair pra olhar tua cara Sofia
Tapa na cara
Minha aversão e milhares de idéias
Tomara deus no fim do trago
Criar anticorpos
No fim do texto
Abrir o zíper da calça
Mijar de pé
E escrever com urina teu nome
Fazer terrorismo com açúcar e salsichas
...
Outro soco
Tomara a pinga dure até o último gole Francisca
Que é pra não voltar pra casa
Com as garrafas de vidro
Contribuindo para estatísticas do fracasso
Deus criou os dentes e esqueceu do antídoto
A cura:
Paranóia na retina
E agora você me ama.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Desengano.eu, cidade de aço
gélido te chamei de puta
a intenção e o texto a te pedir desculpas
um ponta pé na cerveja
tua feição zangada
bravos palavrões mentolados

Outra vez Maria

Prometi nunca mais me casar. Legítimos os personagens, cínicas aspas.Estático e sem honrarias. De véu e grinalda,aliança em punho. Promessas e artérias no varal vizinho, dedos calejados nos beliscões doídos da vida sem platéia.Organizei dez leis, minhas roupas e voluntariosas cicatrizes das tantas mágoas.Mão única,alívio para os pés. Meus olhos tão de perto vesguinhos no teu corpo, teu corpo envergando nos olhos, mau olhado, amuletos então Maria,quinquilharias, aço e teu adorno de pescoço serão meus braços Maria.
Acabou a folia, guarda então teus anjos de costas Maria! Que é pra agilizar o enxame de abelhas no pão que o diabo amassou, que é pra cessar fogo, permitir o digno recuo, confundir a descida das tuas rebeldes lágrimas,deixar todo esse ciúme de quarentena por falta de provas. Ódio,curto pavio, deixa tudo quieto, sensação desmemoriada. Meus cabelos alongam norte-sul em teus olhinhos vesguinhos Maria. Inventamos a vírgula atenta o pedaço solto em ascensão.
Exaustas tentativas, quis o destino estar contigo Maria.


um açoite
um assombro
a baia
a pia
a distancia entre 
os pratos sujos
e a vadia

a ponte
o sopro
a selva
e a padaria
de tanta calma
o mar inunda o quarto
 sal na língua
e uma pia cheia de mágoas
entre o copo e o cristo
há muito cuspe para pouca Maria

sábado, 17 de dezembro de 2011

Do que o velho diz


nas esquinas
a explicação...

no Rio às duas 
a marreta
os pregos
e a resolução
um café, um cigarro
parte da escória sorrindo feliz
você sabe bem
o que o velho diz
era pra ser honesto
ter filhos fortes
braços a mais para trabalhar
e ele me dizia
que era bom os tempos de lavoura
batata doce à mesa
putas escondidas em sobrados antigos
e eu a me perguntar
quem foi meu avô
fumante,formoso cristão
macumbeiro
muambeiro
e tão novo
havia uma fazenda de laranjas aqui
me dizia...
eu só via um pântano
na rua vinte e dois
as pessoas
tão cegas
tão pobres
e tão sadias
a felicidade era cúmplice
de um velho
e eu queria ser como ele um dia foi...
a rua do Ouvidor era um bar a luz de rezas
ele me dizia...
e eu rezava pra ver as putas
penas delicadas nos cabelos
cigarreiras enormes e luxuosas
e eu a fumar todo passado 
querendo ser homem negro
e mais pobre
atravessar à rua do Ouvidor e beber
com as mesmas putas dos tempos dele
 e no fim das contas 

você sabe bem o que o velho diz...



suma
saia do avesso
porque meus ponteiros
quebraram todos os relógios de bolso
da tua íris azeda
corra 
não desejo mais as pernas
nem as meias
nos fios da tua seda
feche os braços
nem o cristo do Rio
faz tua escolta
sem abraços nem afagos
vá de óculos escuros
o verde dos teus olhos
me enoja
apetece os corvos a retina
de tua mentira
suma
caia numa poça
morda a língua
e quebre o braço
queime com cigarro
as poesias
e recite
o tédio
dos teus dias
suma
nas chagas
dum leproso
na raiz fétida

da sua humanidade.

fica mais um pouco
...
meu corpo tomba
quando percebe
que o seu some
todos os versos
agora têm a cor
do teu nome
te rimo propostas
te deito
e fico de costas
te ouço 
te chupo
mordo tuas pernas
te faço um altar
fico de luto

todas as pernas
do meu mundo
correndo em sua direção.


o lençol é o chão que piso
as almofadas acalmando os cotovelos
as pernas destrancam
e a fome...
você é pão e azeite
teu veneno em meus caprichos
e a sede
tua gota é a ânsia.
da raiva peregrina ambulante nas feridas
do pó, da cegueira, dos soberbos engravatados
deposita mais um pouco da tua arrogância em minhas ruínas
e veja se a platéia estufa o peito na curva
satisfaça minhas correntes e aponte dedos em minha direção
apareça em todos os lugares e tenha oito minutos heroicos
vá depressa enquanto abaixo-me no tiroteio
tenho todo cuidado com o suor que escorre
e diminui meu tamanho
abrindo o seu mundo que agora boceja
não os culpo por toda calda espessa
tenho um buraco no asfalto
e a parte da vida que respira.

sábado, 10 de dezembro de 2011

sobre o fim

findo tuas tranças
arranjos de guerras completas
estanco os abraços
dedos calejados amputando amores agudos

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

sobre bundas, bucetas e cérebros deteriorados



na arquivologia dos cus
lixos ambulantes 
em suas calcinhas vencidas
da náusea ao náufrago
olhinhos masculinos dilatados 
urubus da suburbana razão de espalhar gozo
analfabetismo comportamental
sucumbindo as teias da feminilidade
volúpia propagando porras baratas
e raciocínios estéreis
dói-me o bom senso
neste receituário para vagabundas
o óbvio em burrice crônica
tantas bundas, tantos paus...
há mais verdades entre o céu e a terra 
do que uma puta no quarto procurando a roupa
o bicho do tempo dentro espelho
sorri baixinho com os poros fartos
da superficialidade.


divido a mesa com raposas esguias
todas famintas, saltitantes e negras
e minha dignidade estática
enrugando nos becos delgados da peste
e este muro forte 
a construir outros túmulos insólitos

minhas ditaduras
uma arma calibre trinta e oito
nós dois arredios na mesmo gaiola
um caos gestual em que
não há espaço pra curas ou vocabulários
a tua e a minha frieza derrubando
indícios da sanidade.


te tenho repúdio em casas inabitáveis
te rogo pragas
destruo suas gavetas
contorço tuas pernas
molho tuas malas
estrago teus melhores sapatos
rabisco as melhores poesias que fez
te acordo descontroladamente
invoco teus medos 
e te vejo chorar
todas marcas revoltas
toda febre que por você agora queima
...
te espero outra vez com os pés calejados de erros.



sobre o asco repentino




minha repulsa lateja em trovões rotineiros
hoje quero ser feito de ferrugem
acalmar-me diante do precipício
explodir cada osso diante do divino
e adiante, costurar os pedaços que faltam no vidro
o silencio delinquente devora
minhas putas sorrindo e agonizando
exaustão herege sob demônios disfarçados.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

... porque eu comecei a ouvir um miado de gato, um cheiro de pólvora, a tua e minha loucura integradas no caótico milagre de fechar as mãos e doar figos e folclores aos cegos pobres do bairro.
porque eu ouvi a música e esqueci de cantar junto para ser mais bonito, ser igual todo mundo e sorrir delicadamente quando dizem que sou bom...
não lembrei de agradecer o copo d´água e acender o cigarro daquela mulher de vestido parada no balcão, era pra ser mais sociável, mais humano, mas eu só disse pra tirarem a mão do meu ombro.
aquela taça não foi a primeira, eu minto também, como quando você disse que a partir daquela noite tudo seria recomeço, como se o poder de refazer o trajeto fosse nosso, você e eu na Cet-Rio controlando a multidão...
sejamos sinceros meu bem, felicidade não rima com vaidade... o retrato que você mais gosta eu fiz no photoshop, o cheiro de cigarro que você sente em mim são de dois prazerosos maços por dia, eu tenho o dobro da sua idade e daqui dois anos a impotência será iminente.
não sou moreno do sol como disse você no jantar com amigos ricos, sou negro e gosto desta cor, integre esta palavra ao seu dicionário no quesito pele não apenas quando falar do céu em dias de temporal no seu aconchegante chalé em Petrópolis.
não faço e nunca fiz a menor idéia do que seja American Depositary Receipts e os efeitos que vocês tanto falam na economia, pra mim, tanto faz desde que o preço do cigarro que eu fumo escondido de você não aumente..
não interdite meus vícios querida, prometerei não delatar sua elegante tribo em troca, de sossego.
porque o medo da realidade tímida não condiz com seus notáveis sapatos Chanel.


só mesmo a poesia
para desbravar quatro cantos duma tela
como quem viaja por cada bairro da cidade...
dois andares para ruínas
doze passos para queda
sete rotas para renascer
um abrigo antigo para felicidade.
Eu poderia ter estudado literatura, história da arte, poesia pura, poesia com feijão, jornalismo com poesia, poesia com pornografia, poesia, só poesia...
Aplico hoje, em dias de escassez de oportunidades a poesia financeira, poesia administrativa, poesia de logística, poesia sistêmica, apenas números...
Eu poderia mesmo arrancar os extremos, mas poesias sem polêmicas são apenas métricas...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

não havia tanta neblina
ela sofria mesmo de miopia...

domingo, 6 de novembro de 2011

"poemizo"
e me aproprio de verbos inexistentes pra você
cometeria qualquer delito
nos freios infames da tua memória
sugaria a mágoa desta fuligem grosseira
estancaria teus tremores
velaria tuas pálpebras irredutíveis
até o fluir dos ponteiros
esconderia as chaves
pra nunca mais te ver sair
dum precipício atiraria fora o ego
abonaria a audácia de tentar te fazer feliz ao acordar
porque todas as tentativas são de fazer valia
a responsabilidade de ter você comigo agora
não pelo poema
mas pela inquietação que tua presença evoca
"poemizo" nosso carinho
arranco do papel
desembrulho das estrofes
os versos te encontram do outro lado da cama
agradecem a vida que os deste esta noite...
e quanto a mim
alimento as crias poéticas com banquete:
te amo.

Prosa e Poesia

A prosa


Um dia, ela nunca choveu tanto. Era como se de repente fosse amanhecer, e todas aquelas notas juntas sem som estivessem dentro de seus corpos, aonde houvesse infância e as línguas e mãos fossem criadoras inseparáveis de qualquer ilusão. Sete noites como fartos desalinhos nos mais profundos ciscos dessas carnes. Lá naquele lugar onde as pessoas engolem moedas abrindo um abismo embaixo do mundo.
Sabe-se lá se é pela esquerda que eles chegam a onde se é. E foi a partir do limbo secreto abrindo o tempo por dentro dos braços que os vitrais refletiram a palavra inaugural:


A poesia


Gavetas e escadas inundam-se do mesmo nada
Realmente acontecia... É possível transpor o minúsculo!
Como se da “Primeira ilusão” os ossos atingissem a potencia máxima
E desafiassem as origens de um ator que ascende de seu próprio palco
Confundindo a platéia com um ar que bate na cara e respira
E lá no final de nossos olhos chegava o “Teatro ilusionista”...


A ilusão sonâmbula desconhecendo suas próprias doenças
Desenvolta dos golpes de sua própria garganta...
Derretiam as intenções estrangeiras de outro país e de nosso tempo
Entramos no Deus esquecido da rua, exaustos como se dá a um “Merchan” limitado
Morre ao avesso de uma prole vulgar a poesia de coisa nenhuma
Desinibidos da realidade do “Futuro de um passado imperfeito”


Há de germinar poesias como se quer das plantas
E os verbos serão como placentas em brasa que nem a sede constrói
Tijolo por tijolo...Nos braços invisíveis “Da cartola do poeta”
E será então a poesia imortal, em fragmentos e incertezas por todos os lados
“Criadores, criações e criaturas” mergulhados no mistério de uma arte gratuita.
coleciono chagas
das brancas, amarelas e companheiras
de emboscada
das camaradas em amores-amigos-irmãos
das pretas no branco tangíveis na simplicidade da ferida
das frias quase esquecidas nos ponteiros do relógio
das mornas alimentadas a pão e água
guardo onde posso
nos bolsos, em meio as pernas e em trecho dos poemas
Lúcia dorme
enquanto seus demônios pessoais 
despertam
uma batida na janela do quarto
e quatro vezes passagem para o seol

café ruim na cama
geleia de amora 
beijos e mentiras
três chaves no cofre

telas antigas
trechos de livros ultrapassados
folhas e teclados
duas retinas cansadas

cortinas fechadas
dificuldade de enxergar
ruas e calçadas breves
um corpo caído.

Novos mapas
para cegos afoitos...
destroços intermediários
nutrem o cordão umbilical
 fluídos orgânicos
transmitem pó e fumaça dos cigarros da casa
não aspire tudo Sofia
guarde um pouco pra mais tarde
nas horas das madrugadas
em que a abstinência chegar
as cirandas de tua mirada
fincaram-se em meus esboços...
daqui em diante
terás abrigo nas dobraduras
destas paredes sólidas
não corrompidas na efemeridade
da vida
serás meu filho
a saudade procriada nas tetas
de minha escolha
ninarei tua ida
acalmarei os delitos de tua partida...
debaixo da pia arquivarei mentalmente
os itens de tua primeira necessidade
serei estéril por vontade
perpetuando tua estadia
nos naufrágios da nostalgia
é preciso tirar os sapatos
arrancar toda sujeira
morrer superficialmente
e estancar o medo.
submergir da agonia nociva
nas entrelinhas da rotina
...
editar o feio
maquiar a putrefação interna
aspirando todo amargo
até faltar sangue na saliva
catar o lixo da escória
e sus'PIRAR em meio aos grandes

adequação aos lobos
preces e sacrifícios oferecidos aos deuses humanos
sorrisos e fantoches moribundos no caos 




Apodrecer em paz
fartando-me de acasos
nos democráticos cartazes do pranto...

domingo, 17 de julho de 2011

delitos
que a mão escreve
violando meu vazio

débil este emblema
sustento o corpo
obstinadamente
catando em marcha
todos meus pedaços

meu baú ósseo
arrastando
no asfalto quente
da rua

nos membros sem/cem leis
ostento a saliva
da escória

dum golpe surdo
dói-me os aposentos
em órbita gira
teu portão,
meu parapeito
...
a geografia
destas
pernas
tem
vocação para armas



domingo, 10 de julho de 2011

Adicionar legenda
que ninguém se engane
no cair de tuas ondas,
nas brisas de tua ilha
partindo em navios de afeto...

sábado, 9 de julho de 2011


Comigo,
bentas lágrimas,
alvoroço de vida
era a página de um livro
a letra no encaixe do enredo
era Izaías
''nalguma" curva do verso
tombado nos tendões da memória

e o sonho
a voz tua que faço
teus passos vindo como presságio
o brinquedo e minhas tranças nas costas

e eu só quero ouvir tua música
o mensageiro ainda tarda
pego a senha e o santo
estendo a carcaça até a ponte
então lá vem Izaías
na mão que me lê
no fundo duma concha

as palavras do livro
em seus postos de combate
correndo até você
nos destinos de um massacre
Onze anos e teu silencio

era Izaías
minha utopia que sangra.

quarta-feira, 1 de junho de 2011


Sei das vozes a dez quilômetros da liberdade

tamborilando despudoradamente a respiração do ombro da terra

na dança, lágrimas fundas do Atlântico

amparando a solidão gestual que alcança o mundo

esta seria a hora de regressar com música aos espelhos

de agarrar o vento nas labaredas dos ouvidos

direcionar a força dos pulmões

produzir a mecânica mística dos pés

e em atrito ao solo inflamar-se e semear

as vibrações convulsivas das bandeiras que içastes.




                                                    Minha ciência dócil considera o futuro

desejando intimamente o mapa dos rumos
numa mala ou num bar de putas
nas rotas a possibilidade de avançar e acertar
na reinvenção destas minhas pobres células resistentes
levo na mala um par de calças velhas e a crença num deus
que por hora ocupa-se com o preço alto dos figos
meu itinerário se gasta no conformismo da cruz que viajo
e pelas estradas perdidas cuspia sangue em minha relva
nas madrugadas os passos muambeiros das raparigas dos brincos de lata
e do asfalto o sangue negro que não estanca
saio de minhas fontes rondando de perto à noite atenuada na medida dos erros
o novo sentido é uma queda avisada por música
uma tenda dispersa que venho habitar.

O choro dos secos
ditará a sentença dos náufragos imorais
como este barco rompendo os contornos das espumas
e na espera do cansaço sacio a sede em meio a caixas de lixo

exilado na habitual deglutição das cordas da garganta
banharei-me num alambique
ali, os pesadelos serão os clandestinos embaciados...
cambalearei no leito das manchas da renúncia
e nua, tatuarei na púbis o que o mar me nega

pelos seios, serei pescada nas redes da fúria
pela estupidez farei dum anzol a forca da cópula
na secura que um dia me afogastes.