sábado, 14 de julho de 2012

Calmaria

O silêncio pressionando a cara no asfalto. A paz, maldizendo meus restos irritantes, doutrinando minha alegria mais recente, ninando a calmaria dos cômodos com sorrisos fervorosos e música baixinha. Porque faço da luz acesa na cozinha candeeiros supersônicos desta risadinha que não quer parar. Leio um livro (talvez), faço costura (quem sabe), preparo um jantar a dois (provavelmente) e esta mansidão que me aquece a boca por dentro tem respeitado apenas por hoje. Meus anseios mais discretos de confabular com a solidão. Beijo parede por parede. Acarinho o chão da cozinha (apenas meus pés o vão tocar). Incito o ciúme guardado por cada pedaço de tijolo que depois de hoje nunca foi tão meu. Inauguro taças de vinho (a noite é fria e a ocasião especial), o cigarro mais prazeroso do que noite passada. Porque a vida vai habitando com cortesia os músculos e garanto, caso Deus tivesse me dado um pau a satisfação deste dia me faria o homem mais viril da cidade. Porque é preciso todo argumento da potência pra ser feliz em meio ao caos.

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Casa das flores n°: lar


Escolhemos o tom das paredes, adesivos charmosos para nossas janelas e portas. Decoramos nossa casa e mobiliamos nosso imaginário com novas propostas, especulamos a vida a nossa volta e não tivemos dúvidas de estar integradas uma no mundo da outra. Paredes se emaranhavam nos fios de cabelos, fizemos tranças com nossos objetos preferidos, o piso provocando polca em nossos pés que agora flutuavam sobre a pia da cozinha. Tanta coisa miudinha, tanto sentimento graúdo dentro de si e a casa foi ficando apertada de tanto carinho que nos cabia e nos escolhia como proprietárias.  
Nossa rua enfeitada com nossos pedaços soltos mais delicados e o portão que de tanta flor não cabia eram colocadas na caixa de correspondências, todos os dias seguíamos o mesmo ritual, mandar flores para as calçadas e receber flores pelo correio. O telhado da padaria avistado diariamente pela janela agora abrigava gigantes e coloridos moinhos de ventos. Bons ventos que o trazem, era só o vento bater pra trazer todas as flores do portão pra dentro de casa e lá íamos nós duas recomeçando tudo em nosso pequeno refúgio matutino.


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Literaputa

Litera a puta
Nos becos
Sujos da lapa
Instrui
O órgão
A obedecer
O preço
Pago
Nas meias
Das pernas
Tatuadas
Ensinem
Um travesti
A gozar
Pela boceta
Imaginária
Na cabeça
Do pau
...
Litera e chupa
Esse pedaço
De carne
Comovido
Entre as pernas
Do pagante.


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terça-feira, 3 de julho de 2012

Elisa


Nossas pingas temperando de azul o acinzentado da vida. Toma deste aqui. Bebe do meu copo que é pra roçar na boca o tantinho de saliva que ainda cintila da noite que foi ontem e vai ver se as gotas vão alternando em lágrimas e a umidade amanhecida nas paredes da vagina. E eu já não tenho medo de falar sobre amor, e nem sobre cu que, aliás, desse mesmo nunca tive medo. O problema sempre foi achar bonito o barulhinho que sai depois do beijo e depois do sexo fartamente molhado. Há mais beleza além dos teus cabelos gozados do que supõe este pau ereto Elisa. Venha aqui. Bebe do meu copo que é pra registrar o DNA do teu beijo antes mesmo de consumar nossas bocas, que é pra emoldurar teu batom e pendurar na melhor parede da sala, que é pra lubrificar em momentos solitários, que é pra não ter vergonha de ser um tarado ejaculando em qualquer batom/vermelho/emoldurado/num/copo/da/melhor/parede/da/sala/Elisa.
Eu que ando tão disponível para com teus mamilos envergonhados não tenho a menor pretensão de lhe pedir a mão. O dia em que você chegar dentro do melhor vestido, subir as escadas com os mais caros sapatos e se deparar com minha singela forma de devoção emoldurada vai saber que o limite entre a boca e o precipício é pequeno demais pra não sentir daqui o cheiro da tua vulva quente.Entre pedir tua mão e implorar teu cu, nem você saberá da linha tênue que nos confronta. Então Elisa, bebe deste copo enquanto fazemos os dois de conta que não temos segundas intenções.


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