quarta-feira, 26 de dezembro de 2012


Mãos que conduzem a vontade como ancora. Teu corpo amanheceu no meu caminho. A boca umedecida amenizando a carga que se alimenta dos mares. Confundo teus gestos com acordes ocultos, teu esmalte soou como presságio. Espio, coloco a fome na mesa. Agonia. A febre tem pressa. A “flor” alvoroçando de poesia o segredo. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012


Caneta invisível no início do texto
trabalho sabotado por miséria
agonia nos nervos
vírus criativo e intranquilo
um bicho no maior espaço das vistas
emaranhado de migalhas sem identidade
batalha dos dedos ocos
inspiração empedrada
relógio debochando dos rascunhos
o café editado pela boca
o poema trepa e goza na cabeça de outro autor
enquanto meus versos implodem e dormem nas calçadas funerárias.

Bandeiras nas mãos firmes da infância,
outra pequena colhendo das lágrimas do Índico.
Máquinas futurísticas capturando os sonhos mais bizarros.
Tua eletricidade reproduzindo sistematicamente slogans pendurados nas árvores.
Imperfeições milagreiras saltando dos verbos irreais.

A chuva caindo precoce
temporariamente se descara antes do adeus.
Os dedos mastigados de rabiscos encardidos
Entendem a razão do vício e da cólera...

Transmiti um compasso ao morder tua língua,
 sonoridade resfriando mágoas.
Da tua saliva fiz a lágrima que agora pinga no Atlântico.
A água foi inundando a rua
formando muros de ondas.
A febre acrobática fazia nado livre,
doença que não te absorve além dos seus próprios devaneios...

 Meus livros sendo arrastados pela correnteza que tanta água formou na sala.
A iluminação fraca azedando meu corpo,
apodrecendo a arrogância de nossos umbigos.
Um bote saía do corredor até onde nossos pés alcançavam,
com cuspe, desconstruímos nossas posses.
Cansados, transbordamos onde a razão estagnou.
 Calmos, umedecemos os gritos de ternura.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Eufórico, invento a altura da vértebra, o vestígio miúdo de tolice, os movimentos desintegrando nas pedras e o feriado dos pernoitados. No último segundo, me veio fúria das plumas, de súbito, a leveza de um grito atravessou a rua. Outro movimento inacabado. Os gestos crescem em conflitos rasos.

Exposição


Teus pedaços
Num quadro,
Numa parede,
Numa fotografia,
Numa poesia,
Na escultura,
No meio de tanta sede de olhares
E eu te bebendo gota a gota em segredo.
Procurei teu cheiro no índice
No título, no meio do parágrafo,
no prefácio e no desfecho.
Saí cheirando tudo
intrometendo meu olfato em outros pescoços,
em carreiras de pó,
em golas de camisas velhas,
nos frascos pela metade e nos completamente vazios.
Cheirei café, cheirei hortelã
Teu cheiro não me achava
...
Eu é que estava dentro do livro,
eu que preenchia as folhas que seus dedos tocavam,
eu era o pedaço omitido do teu romance preferido,
eu estava lá. E você a virar minha última página.
No vazio,
Os barcos escapam das marés
As rotas discordam dos pontos de partida
O medo sopra a vela
Enquanto os marinheiros ancoram suas desculpas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Sangria


Rebelião descansa agora sob os dedos.
O passado trazendo o mundo para dentro
e os pés gelados atestando a falta de rumos.
O que fica é o sexo-casulo.
As estrias histéricas vestindo-se de medo,
um resmungo vingativo e gelado.
O beijo sem língua, o joio, o trigo e a cama
A dor antiga saltando no vocabulário,
meus dedos cravados nas paredes recém pintadas
O frio das nuvens enfurecidas fazendo cerimônia.
 A neblina, a ressaca empurrando os peixes mortos das calçadas.
Tua faca desorientada botava de volta a língua no beijo
Tentava molhar o sexo de ternura
bebendo minha chuva com saudade.
No fim do mundo, cuspi no teu corpo com esperança,
tua garganta aberta via meu silencio estúpido.
A tua e a minha íris arregaladas de perdão.

sábado, 14 de julho de 2012

Calmaria

O silêncio pressionando a cara no asfalto. A paz, maldizendo meus restos irritantes, doutrinando minha alegria mais recente, ninando a calmaria dos cômodos com sorrisos fervorosos e música baixinha. Porque faço da luz acesa na cozinha candeeiros supersônicos desta risadinha que não quer parar. Leio um livro (talvez), faço costura (quem sabe), preparo um jantar a dois (provavelmente) e esta mansidão que me aquece a boca por dentro tem respeitado apenas por hoje. Meus anseios mais discretos de confabular com a solidão. Beijo parede por parede. Acarinho o chão da cozinha (apenas meus pés o vão tocar). Incito o ciúme guardado por cada pedaço de tijolo que depois de hoje nunca foi tão meu. Inauguro taças de vinho (a noite é fria e a ocasião especial), o cigarro mais prazeroso do que noite passada. Porque a vida vai habitando com cortesia os músculos e garanto, caso Deus tivesse me dado um pau a satisfação deste dia me faria o homem mais viril da cidade. Porque é preciso todo argumento da potência pra ser feliz em meio ao caos.

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Casa das flores n°: lar


Escolhemos o tom das paredes, adesivos charmosos para nossas janelas e portas. Decoramos nossa casa e mobiliamos nosso imaginário com novas propostas, especulamos a vida a nossa volta e não tivemos dúvidas de estar integradas uma no mundo da outra. Paredes se emaranhavam nos fios de cabelos, fizemos tranças com nossos objetos preferidos, o piso provocando polca em nossos pés que agora flutuavam sobre a pia da cozinha. Tanta coisa miudinha, tanto sentimento graúdo dentro de si e a casa foi ficando apertada de tanto carinho que nos cabia e nos escolhia como proprietárias.  
Nossa rua enfeitada com nossos pedaços soltos mais delicados e o portão que de tanta flor não cabia eram colocadas na caixa de correspondências, todos os dias seguíamos o mesmo ritual, mandar flores para as calçadas e receber flores pelo correio. O telhado da padaria avistado diariamente pela janela agora abrigava gigantes e coloridos moinhos de ventos. Bons ventos que o trazem, era só o vento bater pra trazer todas as flores do portão pra dentro de casa e lá íamos nós duas recomeçando tudo em nosso pequeno refúgio matutino.


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Literaputa

Litera a puta
Nos becos
Sujos da lapa
Instrui
O órgão
A obedecer
O preço
Pago
Nas meias
Das pernas
Tatuadas
Ensinem
Um travesti
A gozar
Pela boceta
Imaginária
Na cabeça
Do pau
...
Litera e chupa
Esse pedaço
De carne
Comovido
Entre as pernas
Do pagante.


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terça-feira, 3 de julho de 2012

Elisa


Nossas pingas temperando de azul o acinzentado da vida. Toma deste aqui. Bebe do meu copo que é pra roçar na boca o tantinho de saliva que ainda cintila da noite que foi ontem e vai ver se as gotas vão alternando em lágrimas e a umidade amanhecida nas paredes da vagina. E eu já não tenho medo de falar sobre amor, e nem sobre cu que, aliás, desse mesmo nunca tive medo. O problema sempre foi achar bonito o barulhinho que sai depois do beijo e depois do sexo fartamente molhado. Há mais beleza além dos teus cabelos gozados do que supõe este pau ereto Elisa. Venha aqui. Bebe do meu copo que é pra registrar o DNA do teu beijo antes mesmo de consumar nossas bocas, que é pra emoldurar teu batom e pendurar na melhor parede da sala, que é pra lubrificar em momentos solitários, que é pra não ter vergonha de ser um tarado ejaculando em qualquer batom/vermelho/emoldurado/num/copo/da/melhor/parede/da/sala/Elisa.
Eu que ando tão disponível para com teus mamilos envergonhados não tenho a menor pretensão de lhe pedir a mão. O dia em que você chegar dentro do melhor vestido, subir as escadas com os mais caros sapatos e se deparar com minha singela forma de devoção emoldurada vai saber que o limite entre a boca e o precipício é pequeno demais pra não sentir daqui o cheiro da tua vulva quente.Entre pedir tua mão e implorar teu cu, nem você saberá da linha tênue que nos confronta. Então Elisa, bebe deste copo enquanto fazemos os dois de conta que não temos segundas intenções.


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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Bicho ( da caixa de palavras- pra se brincar de fazer crônica)



Bicho solto na caixa de fazer silencio. Nas compotas de poetas que religiosamente amanhecem no meu pão. Bicho de botar no pé e continuar andando porque a coceirinha dói. Porta-treco de guardar canção ultrapassada pra esquecer que também sou antiga. Variações dum mesmo bicho que não admite ter sete cabeças porque a vida já é dura demais pra ser complexa e eu não sou ninguém e você também não é. Bicho é bicho, mesmo bicho de pé. Bicho sem vergonha de fazer molhar a fronha. Bicho-gente /grilo na cuca. Vou esquecendo as promessas porque bicho solto não tem paradeiro para cumprir coisas ditas. A gente vai virando gente e sendo cada vez mais bicho vai achando que encontrou a fonte pra ser esperto.
 Bicho gay é bicha. Bicho hippie é cara. Bicho machista quase sempre não gosta do parente bicha e esse preconceito quase sempre termina em bicheira. Bicheira no trocadilho vira intolerância. Bicho literal vive de instinto e a gente usa instinto como pretexto pra ofensa. Ofensa é coisa criada pelo bicho capeta, o filho do bicho pai que quis ser o próprio bicho pai, e também tem o bicho filho que dizem ter morrido pra salvar todos os outros bichinhos do mundo. Bicho filho gerou o caos porque no meio de tanto bicho achando ser especial surgiu foi bicheira em todo canto do planeta, de bicho assassino a bicho ladrão, cada um achando que tem sua razão e essa bicharada toda junta devia mesmo era voltar pra arca porque bicho solto é coisa dessas idéias modernas que enchem nossas cabeças de bichinhos, e os congressos, e os políticos são os bichos responsáveis por fingir que tem inseticida suficiente pra acabar com toda bicharada se não seguirmos as regras, outra coisa: regra é um bicho chato que a gente segue porque senão a casa cai e aí a gente vira bicho mesmo, de mentir a saquear pra não sair na desvantagem. A gente é tão bicho, mas tão bicho que pra enganar a gente e inflar o nosso ego o bicho pai apelidou a gente de “Homem”.
(Vai entender esses bichos doidos.)

Sereia (da caixa de palavras - pra se brincar de fazer poesia)



Minhas sereias voando alto
Todas mitologicamente incorretas no absurdo razoável do mar que cobre o céu
Sedutoras, fiéis a sua definição primitiva
E eu cubro o canto com encantamento dos olhos
Não seremos surdos no opaco da vida daqui por diante
Seremos metade peixe na imensidão dos poros aquáticos
E as porras marítimas flutuando no azul do meu umbigo inflamado
(De sal e pus)
Devorando os fetos machos eretos de tanto desejo
(É tudo desejo apenas desejo)
Nadando em braçadas largas rumo ao fracasso
Este nosso estado humano mais lendário.


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terça-feira, 1 de maio de 2012


Você vai preparando o tom exato, a roupa, o batom, a música certa para abrir o closet, dançando os dedos no estojo de maquiagem, rebolando até o vestido entrar, e eu vou endoidecendo nas passagens de Edith Piaf que você dignificou  ao som de “Non je ne regrette rien” e eu quieta com os olhos assumo com a saliva gelada a dúvida: se você ainda volta, porque me dá medo tanta delicadeza assim andando na rua de vestido novo e verbo alegre. Você sorri orgulhosa frente ao espelho e marca com batom a cor da boca que volta de noite pra me beijar de dentro.
(Meu alívio afoito correndo de felicidade pelo quarto.)

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Deixa eu ficar mais um pouquinho pingando preguiça por toda cama e depois a gente lê um livro de título bobo só pra ter o pretexto de ouvir romance saindo da boca. Vem cá, te faço um café expresso e você me acende um cigarro a gente vai passando na calada da casa, no fuxico que a chuva faz lá fora e nas mãos aquecidas das xícaras perseverantes. Eu te tombo com poesia e você me dança com pintura. O ritmo rabisca o chão com os pés, a poesia vira música e a pintura vira fotografia nos lençóis bordados de maio. E nós aqui... Brincando de vida.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012





A espera
invisível
atravessando a boca
com gosto amargo
o medo
inclinando-se sempre mais perto
o tecido preto
cobrindo-me todos os mundos
 a fragilidade querendo gritar de dentro
somos todas
pequenas verdades doídas
tramando fugas no desespero de nossas casas
a felicidade pulsando nas memórias sofridas
e a história repetindo o folclore
é preciso estancar a maldade de nossos homens
a arrogância de nossos filhos machos
criados a leite e submissão de nossa condição-mulher
e extinguir a angústia de vê-los repetir o ciclo
brutal e desumano de gerações
seguimos marcadas
com a vergonha de nosso povo
e o desejo não mais aprisionado
de recuperar nossa identidade humana.


sábado, 21 de abril de 2012



Tua fonte séria mais molhada
gargalhando na fonte infantil de meu calor.


Todas as noivas do mundo
prometidas à futura mágoa.


Saudade é o nome
da minha criança.


Estou para o ócio
assim como o medo 
está para solidão.



Reedito os pedaços soltos
estou para o caos,
muita agulha e linha no tecido adiposo desta casa
clarão na sala e não podemos ver teus dentes amarelinhos de nicotina
sobre o cinza desmedido do quarto não poderei mais contar nossas rugas
há tanta inércia nas mãos e podridão em nossos ossos
que nossos poros corrompem-se de passaportes nulos
no que antes seriam milhões de itinerários rumo aos outros lados do espelho.



Pode fumar
ouvir suas músicas francesas
espalhe ração de gato por toda a casa
até que o alívio suba por tuas pernas.

A marcha fúnebre
improvisada com pandeiros
estoques completos de difamação e agonia
você sai/eu desabo
fumo mais de vinte cigarros imaginários
e a chuva fininha pinga no chão a forma das tuas costas
são tuas costas (eu sei)
e o tempo vai abafando
prendendo o ar em egoísmo
e eu querendo fazer com você o mesmo.
...
(aprendo a calar esta guerra
sem grandes rebeliões).

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

itinerário da Arte
desinventando Arte
inutensílho
enzimas criativas
decodifique arte
desfecho virtual
distonia
mosaico ao avesso
Estand’Arte
...
transitivo
hiperativo em sua obscenidade lisérgica
literário inalcançável
aonde não há chegadas
nem morada em cada estrofe
porque dos passos pentecostais de uma puta
nasceu a bíblia
o livro dos enjeitados
que deságua no leite seco de uma negra
e desmancha nos pedaços pútridos
da falta de cura
...
sangue roxo para artistas imaginários
veias entupidas do tédio que pelo pulso escorre
das chagas fizemos pintura
dos cortes palco para teatro
da morte a inspiração
para selar o poema
intitulado nojo
...

ainda não inventaram a prece
a oração vazia
que expele descomeço
e final para o medo.
...

Do que nutrimos há uma balsa pulsando pelo avesso. A ordem inversa do criador poente é uma página em branco. Sem nomes ou relações coligadas. Porque a vida corre para trás.
E não há melhor maneiras de se fazer poesia na ingratidão de cada verso que voltamos atrás para buscar.
...
Estou voltando por você.




sábado, 24 de março de 2012

o líquido mais precioso

De todos os líquidos mais preciosos um deve ter sua merecida honra...
Não é a água que escorre nos mananciais e nos serve tão bem, nem a água que deságua do rosto e cai no chão em forma de lágrima, nem o vinho que nos deixa loucos prontos pra enfrentar o mundo com todas suas verdades ocultas, muito menos a urina que depois de ser água é descartada em postos de esgoto a céu aberto.
O líquido mais precioso caro amigo é o gozo que de forma milagrosa sai das partes mais íntimas do ser humano e deságua nos lugares mais inusitados do corpo do outro... E este sim que supostamente atacado e prejudicado por velhinhas crentes e mulheres frígidas vem perdendo seus méritos. É ele que encharca as calcinhas das mais puritaninhas e as cuecas dos homens de família, é ele que antes de ter sua forma completa umedece as roupas mais discretas dos que assistem aquela cena quente ou dão o primeiro amasso decente.
É o gozo seja feminino ou masculino que inunda os pensamentos mais obscuros de qualquer pessoa de postura. Por causa dele cometemos as maiores loucuras da traição ao amor às escuras, para que ele saia pleno e aplaudido nos três segundos de augura.
Tão pouco falado, por vezes discriminado é ele o responsável por nossa essência mais primitiva, a nossa função animal de ser tão prazerosamente humanos.
Ainda dizem que se não expelido para procriar é pecado. Ora camarada, que mal há dar uma espirrada na frente, atrás ou aonde bem entender?A ordem dos fatores não altera o produto. Deixa o gozo se libertar! Abaixo o gozo reprimido! E quais são mesmo as diferenças duma puta gozada e um padre molhadinho por causa do coroinha? Deixa a menina gozar docemente na outra, deixa o menino gozar no companheiro, deixa a esposa receber o gozo porque quer engravidar. Se tiver amor, que mal há?
E não venha me falar de sodomitas, nem de promiscuidade ou falta de parâmetros morais, que o mundo já anda problemático demais pra se fazer guerra por causa de uma ou duas gozadas.




....


deixa tua anca aos meus cuidados que com zelo e préstimos adorno teu pedaço mais merecido de glórias,
tuas gotas não refreiam minha falta de pudor, nem a temperatura dos trópicos me tiram de perto do teu segredo mais belo e essa tua coxa que me pinga com vela um nome e derrete sem arrependimentos sob teu corpo delicado.
vai umedecendo os lábios de licor enquanto minhas pálpebras se abrem na tua fonte de calor mais sincera porque já vou encostando meus bicos sutilmente nos teus que é pra decorar tuas formas dançando seu ritmo mulher.
e se por vezes paro, é pra esconder a voracidade e toda vontade de acelerar endoidecidamente nas passagens de teu sexo.vou desacelerando o ritmo do corpo, te comendo sempre mais um pouco dentro do abrigo dos meus olhos, você  percebendo meus trajetos, querendo escolher o ritmo certo. eu, empalidecendo meio de canto, você vibrando e agradecendo todos os santos à cumplicidade deste ato que agora deságua sobre nós seu líquido mais humano.

sexta-feira, 23 de março de 2012

tô ficando sem recurso maria. então vá parando de mandá pedi dinheiro pras criança que eu já to há tanto tempo nesse fim de mundo que não dá pra botá as idéia no lugá não sinhô. e as idéia tá acabando também, então dá um tempo dessa cunversa de pedi pra dá jeito que eu já to sabendo que a coisa tá feia aí também. to sabendo que chiquinha ta sem leite dispôs que o seu secou, mas se a coisa milhorá eu te mando a vaca que seu atilho prometeu dispôs que dei cabo do jagunço filha duma puta das banda de pedrosa. tem paciência fia que se a vida acertá eu mando busca ocê mais os menino que é pra nóis tudo avive junto mó de que nóis ajunta nossa tristeza e tentá se feliz mermo com essa disgrama de pobreza.
já penso maria? tu mais os menino avivendo na casinha que um dia te prometi? se tudo acertá e com a ajuda de nosso sinhô, vai tê fubá todo dia na mesa, fruta di tudo quanté qualidadi e leite pra chiquinha enjoá de bicá, vai inté tê escola pras criança virá dotô e cuidá di noís dois quando tive veio. fica tranqüila bichinha quem tá prometendo esse mundão de coisa é só eu não é prefeito jilmá que tá falando pro povo todo que pra gente tê isso tudo é só votá nele e ajudá a entregá pro resto do povo uns papel com a foto dele. bão isso né fia? enquantu tivé gente boa nesse mundão deus vai ajudando. vê se pode mulhé, prometeu fazê tanta coisa boua  pra mó de ajudá noís.
espera fia e vai tendo paciência que assim que o prefeito ganhá as eleição eu mando te buscá e nóis vai se feliz que só tu vendo.

Guerra e Paz (Sofia)

Estou sempre a espera de uma guerra Sofia,somos pedaços reeditados de russos sem preconceito,mas com tanta vontade de força bruta quanto.Vou esperar que a guerra comece e não acabe nunca, já me preparo, escondo centenas de cigarros pela casa para o caso de guerra entre seus muros e os meus.E escolho sempre o melhor cômodo da casa para bater em retirada com minhas tropas de soldados empoeirados e com páginas soltas no desgaste do tempo/espaço.Tenho quilos de café que servirão pra fazer teu pingado no tempo necessário do desastre nuclear que você causou.
Manda buscar mais armas Sofia porque a bomba de efeito moral que você jogou nas redes sociais não serviu nem para faltar o ar que bate na sua cara e volta.
Já vesti meu colete a prova de mágoas que é pra durar o tempo que leva pra tua raiva rolar umedecida pelo rosto e só tocar o chão quando virar perdão.

sexta-feira, 16 de março de 2012

gostava de fazer poesia dentro da sua boca só pra receber de volta os versos sempre mais profundos e convincentes

sábado, 14 de janeiro de 2012

confundo a fumaça dos bares
com tudo que crepita 
na condição humana
e se converte
em vício e propensão à loucura



em teu sexo
rezo
sacrifico a boca
em batismos
expatriados
...
em teu instante
o entreabrir 
das pernas
como quem 
revela 
o melhor
segredo
( me conta)
...


Tuas coxas molhadas de poesia
esvaziando-me a culpa 
refeita antes em teu ventre/mulher
benditos os seios que beijo
com pretexto da fome profana
...
teus pêlos cobrindo
os versos 
na urgência grávida de meus anseios
e eu a te beber em todas as esquinas
teu sexo habitando o movimento de minha 
pátria.


domingo, 8 de janeiro de 2012

tentativas frustradas
muito gelo na piscina
o vazio mais perspicaz
que uma águia
a febre de uma vida inteira
o cheiro de naftalina
impregnado no armário
eu me fingindo de tola
e o mundo inteiro
desabando lá fora
esqueci de dizer coisas
bonitas
nas horas oportunas
mais um fracasso
soltando os jorrões
dentro desta xícara de café
duas colheres de açúcar
e uma navalha para o chá das cinco

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012



Tomara meu cigarro dure a tarde inteira
E eu não tenha de sair pra olhar tua cara Sofia
Tapa na cara
Minha aversão e milhares de idéias
Tomara deus no fim do trago
Criar anticorpos
No fim do texto
Abrir o zíper da calça
Mijar de pé
E escrever com urina teu nome
Fazer terrorismo com açúcar e salsichas
...
Outro soco
Tomara a pinga dure até o último gole Francisca
Que é pra não voltar pra casa
Com as garrafas de vidro
Contribuindo para estatísticas do fracasso
Deus criou os dentes e esqueceu do antídoto
A cura:
Paranóia na retina
E agora você me ama.