quarta-feira, 4 de julho de 2012

Casa das flores n°: lar


Escolhemos o tom das paredes, adesivos charmosos para nossas janelas e portas. Decoramos nossa casa e mobiliamos nosso imaginário com novas propostas, especulamos a vida a nossa volta e não tivemos dúvidas de estar integradas uma no mundo da outra. Paredes se emaranhavam nos fios de cabelos, fizemos tranças com nossos objetos preferidos, o piso provocando polca em nossos pés que agora flutuavam sobre a pia da cozinha. Tanta coisa miudinha, tanto sentimento graúdo dentro de si e a casa foi ficando apertada de tanto carinho que nos cabia e nos escolhia como proprietárias.  
Nossa rua enfeitada com nossos pedaços soltos mais delicados e o portão que de tanta flor não cabia eram colocadas na caixa de correspondências, todos os dias seguíamos o mesmo ritual, mandar flores para as calçadas e receber flores pelo correio. O telhado da padaria avistado diariamente pela janela agora abrigava gigantes e coloridos moinhos de ventos. Bons ventos que o trazem, era só o vento bater pra trazer todas as flores do portão pra dentro de casa e lá íamos nós duas recomeçando tudo em nosso pequeno refúgio matutino.


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