sábado, 5 de março de 2016

Canhão de flor

Gostaria de atravessar a casa, a rua,
o tempo e o canhão de flor.
Rasgar essa folha
pendurar na parede,
no cabide,
no espelho,
desdobrar as roupas,
jogar no chão e deitar...
Me embrulhar,emaranhar nos fios de cabelo,
de linho,
e de alta tensão

Onde se esconde aquele pedaço
de flor, de bolo, de juventude?
Onde eu vim parar?
O dia está tão estranho...
Azia, fúria, cansaço,
formigamento, falta de cor.

(Começou a chover, na casa, há um rio inteiro de mim).
https://www.youtube.com/watch?v=9yJWntQYMQI